MP-AM intensifica fiscalização contra mortalidade materna e infantil em Envira

Investigação quer saber se a prefeitura mantém comitê ativo para analisar mortes evitáveis de mulheres e crianças no município.


ENVIRA (AM) – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), por meio da Promotoria de Justiça de Envira, instaurou um Procedimento Administrativo para fiscalizar a implementação e o funcionamento do Comitê Municipal de Prevenção ao Óbito Materno, Infantil e Fetal. A medida, assinada pelo Promotor de Justiça Substituto Christian Guedes da Silva, visa garantir que a prefeitura esteja monitorando as causas de falecimentos que poderiam ser evitados com políticas públicas eficientes.

A iniciativa fundamenta-se em diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabeleceu a meta global de reduzir a mortalidade materna para menos de 70 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030. No Brasil, o acompanhamento desses óbitos é uma obrigação legal dos municípios, conforme determina o Ministério da Saúde.

O Papel do Comitê

Os Comitês de Morte Materna e Infantil funcionam como órgãos de investigação técnica. Eles analisam cada óbito ocorrido na região para identificar falhas no atendimento, falta de insumos ou problemas no pré-natal.

"O fundamental papel da identificação dos principais fatores de risco é definir estratégias de prevenção e qualificar as políticas públicas de saúde", destaca o texto da portaria.

Prazo para Respostas

A Promotoria deu um prazo de 30 dias para que o Prefeito de Envira e o Secretário Municipal de Saúde apresentem documentos que comprovem:

  • A existência formal do comitê (leis ou decretos de criação);
  • A lista de membros atuais;
  • Relatórios de atividades e reuniões realizadas nos últimos dois anos.

Caso o comitê não esteja em operação, a gestão municipal deverá manifestar interesse na sua criação imediata e apresentar um cronograma detalhado de implementação.

Contexto Global e Local

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) revelam um cenário alarmante: diariamente, cerca de 830 mulheres morrem no mundo por complicações na gravidez ou no parto, sendo que 99% dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento. No interior do Amazonas, as dificuldades logísticas e de infraestrutura tornam o trabalho desses comitês ainda mais vital para a proteção da vida.

O Procedimento Administrativo seguirá em curso durante todo o ano de 2026, e o descumprimento das solicitações do Ministério Público pode levar a medidas judiciais cabíveis para assegurar o direito à saúde da população envirense.

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