Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, apresentou uma proposta que pode revolucionar o futuro dos computadores quânticos. A ideia é tornar essas máquinas muito mais estáveis, reduzindo os erros que hoje limitam seu uso prático.
O segredo está em uma abordagem que utiliza férmions de Majorana — partículas exóticas que funcionam como suas próprias antipartículas — dentro de estruturas chamadas “ilhas topológicas”. Essa combinação cria um ambiente mais protegido contra interferências externas, que normalmente fazem a informação quântica se perder rapidamente.
A Dra. Poliana Heiffig Penteado, do Instituto de Física de São Carlos, explica que o problema atual é a fragilidade dos sistemas:
“Em plataformas quânticas convencionais, a informação é codificada em graus de liberdade locais e, por isso, torna-se extremamente sensível a imperfeições microscópicas, o que leva à rápida perda de coerência.”
Por que isso é tão importante?
- Computadores quânticos têm o potencial de resolver problemas que seriam impossíveis para máquinas tradicionais, como simulações de novos medicamentos, materiais avançados e sistemas de criptografia.
- O grande desafio é que eles são extremamente instáveis: qualquer mínima interferência pode comprometer os cálculos.
- A solução proposta pela USP pode ser um caminho para superar essa barreira, tornando os sistemas mais confiáveis e duradouros.
Brasil no mapa da ciência de ponta
Esse avanço coloca o Brasil em destaque em um campo dominado por grandes centros de pesquisa internacionais. Se a proposta se confirmar em experimentos práticos, pode abrir portas para uma nova geração de computadores quânticos, aproximando o futuro dessas máquinas da realidade cotidiana.