Vazamento na Foz do Amazonas expõe ameaça devastadora

Organizações denunciam risco de tragédia ambiental e cultural


Um vazamento de fluido durante perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas acendeu o alerta máximo entre organizações indígenas e ambientalistas. O incidente, confirmado pela estatal no domingo (4), ocorreu a 175 quilômetros do Amapá e levou à paralisação imediata das atividades.

Embora a Petrobras insista que o fluido é “biodegradável” e dentro dos limites legais de toxicidade, especialistas e entidades denunciam que o episódio revela a face sombria da exploração de petróleo em uma das regiões mais frágeis e vitais do planeta.

O Instituto Internacional Arayara classificou o vazamento como um sinal inequívoco dos perigos estruturais da atividade petrolífera. “Estamos diante de uma das áreas de maior biodiversidade do mundo, onde comunidades costeiras dependem diretamente dos ecossistemas para sobreviver. Qualquer falha pode desencadear impactos irreversíveis”, alertou em nota.

As correntes profundas da região, ainda pouco estudadas, tornam a exploração ainda mais insegura. O instituto adverte que novos acidentes — potencialmente maiores e transfronteiriços — são apenas questão de tempo.

A Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) e o Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) afirmaram que o vazamento confirma os “piores temores” das populações tradicionais.

“A atividade petrolífera na nossa costa é uma ameaça direta à subsistência física e cultural dos povos indígenas. Este incidente evidencia riscos inaceitáveis e configura uma tragédia anunciada”, diz o comunicado.

As organizações denunciam ainda que a exploração viola a Convenção 169 da OIT, ao ignorar a obrigação de Consulta Prévia, Livre e Informada aos povos cujos territórios estão sob ameaça.

O licenciamento concedido pelo Ibama em outubro de 2025 já é alvo de ações na Justiça Federal. Oito organizações — incluindo APIB, Coiab, Conaq, Greenpeace e WWF-Brasil — pedem a suspensão imediata das atividades, apontando falhas graves nos estudos ambientais e desrespeito aos direitos de comunidades tradicionais.

O Ministério Público Federal também ingressou com ação, denunciando que milhares de famílias de pescadores e extrativistas foram deixadas sem proteção, já que a Petrobras não apresentou um Plano de Compensação da Atividade Pesqueira.

Apesar das garantias da Petrobras de que “não há riscos à segurança da operação”, especialistas e entidades afirmam que o episódio expõe a vulnerabilidade de toda a região amazônica diante da exploração de petróleo.

O caso reacende o debate sobre os limites da exploração em áreas de alta sensibilidade ambiental e cultural, onde qualquer erro pode se transformar em catástrofe.

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