Brasília (DF) – A gestão de desastres ambientais voltou ao centro do debate público após revelações sobre cortes orçamentários em programas de prevenção e infraestrutura contra chuvas em estados governados por líderes da direita. Especialistas e entidades da sociedade civil apontam que a falta de investimentos tem agravado os impactos de enchentes e tragédias climáticas recentes.
Minas Gerais: cortes drásticos no orçamento
Segundo levantamento publicado pelo jornal O Globo, o governo de Romeu Zema (Novo) reduziu de forma significativa os recursos destinados à infraestrutura de combate às chuvas.
- Em 2023, foram aplicados R$ 134,8 milhões.
- Em 2024, o valor caiu para R$ 41,1 milhões.
- Para 2025, a previsão é de apenas R$ 5,8 milhões.
Nos dois últimos meses de 2025, o montante empenhado foi de apenas R$ 16,1 mil, valor considerado irrisório diante da dimensão dos problemas enfrentados pelo estado.
Rio Grande do Sul: críticas à condução da crise
No Rio Grande do Sul, governado por Eduardo Leite (PSDB), a condução das políticas de enfrentamento às enchentes também tem sido alvo de críticas. O estado sofreu com graves inundações em 2024 e 2025, que deixaram milhares de desabrigados e expuseram fragilidades na infraestrutura de prevenção. Movimentos sociais e especialistas em meio ambiente afirmam que faltou planejamento e prioridade para ações estruturais de longo prazo.
Falta de compromisso e consequências
A redução de investimentos em prevenção é apontada como reflexo de uma visão política que privilegia cortes de gastos imediatos, mas ignora os custos humanos e econômicos das tragédias ambientais.
Organizações ambientais destacam que o Brasil vive um cenário de aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, exigindo maior responsabilidade dos governos estaduais na preparação e resposta.
O tema reacende a discussão sobre a necessidade de um pacto federativo pela resiliência climática, que envolva União, estados e municípios em estratégias conjuntas de prevenção. Para especialistas, sem investimentos consistentes, os desastres tendem a se repetir, com impactos cada vez mais severos sobre populações vulneráveis.