A Moriah Asset, fundada por Fabiano Zettel, não é apenas uma gestora de recursos comum. Ela funciona como o braço de investimentos e estilo de vida do ecossistema ligado ao Banco Master.
Zettel, que transita entre o púlpito da Bola de Neve e os escritórios de luxo da Faria Lima, utilizou a Moriah para adquirir participações em empresas de diversos setores (como a Feed Me Up e marcas de varejo).
- O "Modus Operandi": A estratégia consiste em comprar empresas em dificuldades ou startups, injetar capital e usar essas estruturas para justificar movimentações financeiras entre sócios e terceiros.
- A Conexão Master: Daniel Vorcaro e Zettel compartilham não apenas laços familiares, mas uma rede de empresas que frequentemente aparecem em transações cruzadas, onde o Banco Master atua como o principal financiador ou garantidor.
Como funciona o esquema das "Contas Espelho" (Money Laundering)
A investigação da PF detalha que o grupo utilizava o que chamamos de "Bank as a Service" (BaaS) de forma corrompida para lavar dinheiro e evadir divisas.
O Passo a Passo da Engenharia Financeira:
| Imagem gerada a partir de IA |
A Camada de Fintechs (Escudo): O esquema utiliza pequenas instituições de pagamento (fintechs) que não possuem autorização plena do Banco Central para operar como bancos. Elas funcionam sob o "guarda-chuva" de um banco maior (como o Master).
- As Contas Gráficas (ou Contas Espelho): Em vez de cada cliente ter uma conta individual registrada no Banco Central (via SPB), o dinheiro de milhares de pessoas (ou empresas suspeitas) é consolidado em uma conta única e gigante em nome da própria fintech dentro do banco principal.
- A Invisibilidade: Para o Banco Central, existe apenas uma transação da fintech. No entanto, "dentro" da fintech, o dinheiro é fracionado e enviado para o exterior ou para a compra de bens (como os apartamentos de R$ 7 milhões) sem que os órgãos de controle consigam rastrear a origem real do montante imediatamente.
- A Lavagem via Imóveis: É aqui que entram as "Sugar Babies" e a nutricionista. Doar imóveis como "investimento" em empresas de fachada (marmitas, marketing, etc.) é uma forma de retirar o dinheiro do sistema bancário e transformá-lo em patrimônio imobiliário "limpo".
O Ponto Cego: Por que isso é uma "Fraude Bancária"?
O Banco Master cresceu comprando carteiras de crédito podres e bancos em liquidação (como o antigo Banco Máxima). A suspeita é que a instituição esteja inflando seu balanço através de:
- Operações Circulares: O banco empresta dinheiro para empresas do próprio grupo (ou de parentes, como Zettel) para que elas comprem ativos do próprio banco, criando um lucro artificial.
- Omissão de Risco: Ao usar as "contas espelho" das fintechs ligadas à Moriah, o banco esconderia o perfil de risco de seus verdadeiros clientes, muitos dos quais podem estar ligados ao crime organizado ou à corrupção política.
O Próximo Alvo: A Quebra do Sigilo Bancário
O que torna a notícia da nutricionista e da "sugar baby" tão perigosa para o Banco Master é que ela fornece o fio da meada. As doações atípicas de Zettel (pastor e cunhado do dono do banco) são provas físicas de "confusão patrimonial". Se o dinheiro usado para comprar esses apartamentos veio de dividendos do Banco Master ou de empréstimos não quitados da Moriah, o Banco Central pode decretar intervenção na instituição por gestão fraudulenta.