Matéria Especial | Combate ao Crime Organizado no Brasil
Em uma das maiores ofensivas financeiras contra o crime organizado no Brasil, o governo federal, por meio da Polícia Federal e com apoio da Receita, anunciou o bloqueio de R$ 1,2 bilhão em fundos de investimento suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação faz parte das operações Quasar e Tank, deflagradas simultaneamente em São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e Paraná, com o objetivo de desmantelar esquemas bilionários de lavagem de dinheiro.
O que foi descoberto
- Fundos de investimento eram usados para ocultar patrimônio ilícito, com estruturas societárias complexas que dificultavam a identificação dos verdadeiros beneficiários.
- Foram realizadas transações simuladas de compra e venda de ativos entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real.
- A Justiça Federal autorizou o sequestro integral de fundos e o bloqueio de bens e valores, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.
- No Paraná, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 23 bilhões desde 2019, lavando pelo menos R$ 600 milhões por meio de centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis e instituições de pagamento.
Justiça e inteligência financeira no combate às facções
Essa operação representa uma mudança de paradigma no enfrentamento às facções criminosas. Em vez de ações violentas em comunidades vulneráveis, o foco está em destruir o poder econômico que sustenta essas organizações. Como você bem pontuou: “É assim que se combate as facções, destruindo o poder financeiro e de financiamento delas, não matando pobre em favela.”
Além disso, o bloqueio de bens e o sequestro de ativos — que somam R$ 28 bilhões — são medidas autorizadas exclusivamente pelo Poder Judiciário, reforçando o papel institucional e legal no combate ao crime.
O caminho certo: repressão com prevenção
O sucesso dessas operações levanta uma questão essencial: como impedir que o crime continue se alimentando? A repressão financeira precisa vir acompanhada de:
- Políticas de prevenção nas periferias
- Educação de qualidade
- Apoio social e oportunidades econômicas
- Fortalecimento das instituições locais
Sem isso, o vácuo deixado pelo crime organizado pode ser preenchido novamente — por falta de alternativas.