Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, é alvo de investigação da PF por suposto esquema com fundador do Banco Master

Parlamentar é acusado de receber vantagens para aprovar emenda que beneficiaria instituição financeira; defesa nega ilegalidades


A Polícia Federal deflagrou uma investigação que apura um suposto esquema de troca de favores entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, e o fundador do Banco Master, José Vorcaro Neto. De acordo com as apurações, Vorcaro teria concedido vantagens econômicas ao parlamentar — incluindo pagamentos mensais — em troca de uma atuação legislativa favorável ao grupo empresarial ligado à instituição financeira.

O principal episódio sob análise ocorreu em 2023, quando Ciro Nogueira apresentou uma emenda à PEC 65/2023. A proposta ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Se aprovada, a medida faria com que o Banco Central cobrisse uma parcela significativamente maior do prejuízo em caso de quebra do Banco Master, blindando grandes investidores e beneficiando diretamente os controladores do banco.

A decisão da PF também aponta indícios de uso de empresas para ocultação financeira e aponta benefícios pessoais recebidos por Ciro Nogueira, como:

  1. custeio de viagens internacionais;
  2. hospedagens de alto padrão;
  3. voos privados;
  4. uso de imóvel luxuoso;
  5. despesas pessoais pagas por terceiros.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que o esquema envolvia pagamentos regulares disfarçados por meio de contratos fictícios ou laranjas, com o objetivo de garantir influência do parlamentar no Congresso Nacional em prol dos interesses do Banco Master e de seu sócio-controlador.

Em nota, Ciro Nogueira negou "qualquer ilação de ilicitude" e afirmou que sua atuação legislativa sempre foi pautada pela transparência e pelo interesse público. Procuradas, as defesas de Daniel e Felipe Cançado Vorcaro — também citados no inquérito — não se pronunciaram até a publicação desta matéria.

O caso segue sob sigilo judicial, mas a PF já colheu documentos, quebras de sigilo bancário e fiscal, além de depoimentos de testemunhas. A investigação pode evoluir para denúncias por corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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