Investigados por lavagem de dinheiro e ligação com facção criminosa, empresários do setor de combustíveis usaram banco da Faria Lima para esconder dinheiro sujo
A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 176 milhões do Banco Genial, um dos maiores bancos de investimento do país. A decisão aconteceu depois que investigações revelaram que o banco fazia negócios com empresários ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Quem são os envolvidos?
- Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo"
- Roberto Augusto Leme, o "Beto Louco"
Os dois são donos das empresas de combustíveis Áster e Copape. Eles são investigados por sonegar R$ 7,6 bilhões em impostos (ICMS) e por lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC.
A investigação faz parte da Operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema onde o PCC usava bancos e fintechs da famosa Faria Lima (centro financeiro de São Paulo) para esconder dinheiro do tráfico e de outros crimes.
Os investigadores descobriram que Primo e Beto Louco criaram fundos de investimento falsos para comprar imóveis, usinas de açúcar e até aviões com dinheiro do crime organizado.
O Genial herdou uma carteira de R$ 500 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Depois que outro banco (a Reag, de João Carlos Mansur) se recusou a fazer negócios com os investigados, eles foram parar no Genial.
Entre as operações suspeitas:
- O grupo usou um fundo chamado Radford para comprar uma usina de açúcar e esconder que o dinheiro vinha do PCC.
- O Genial emprestou dinheiro para uma empresa fantasma chamada Berna, que comprou cotas de outro fundo, o Los Angeles.
- Com essa engenharia financeira, eles compraram 20 imóveis avaliados em mais de R$ 200 milhões.
- O banco também administrou o fundo Viena, chamado de "caixa-preta" pela Polícia Federal, que encobria outro fundo (Bariloche) dono de aviões de luxo ligados ao PCC.
O Banco Genial afirmou que agiu dentro da lei e que apenas administrava os fundos. Disse também que as medidas judiciais fazem parte de um processo ainda em andamento.