Governo Lula destrava R$ 5 bilhões em obra da Petrobras e retoma caminho para autonomia em fertilizantes

Retomada da UFN-3 em Três Lagoas (MS) é marco na redução da dependência externa e reativa indústria nacional de insumos essenciais

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu nesta semana um passo decisivo para reduzir a vulnerabilidade externa do agronegócio brasileiro. A Petrobras aprovou, no último dia 13, a retomada das obras da Fábrica de Fertilizantes de Três Lagoas (MS), a UFN-3, paralisada desde 2015. O investimento estimado para conclusão do projeto é de R$ 5 bilhões, com previsão de operação comercial a partir de 2029.

A decisão, tomada pelo conselho de administração da estatal, resgata um empreendimento que já consumiu R$ 3,9 bilhões e está 80% concluído. A obra, orçada originalmente em outro contexto econômico, foi incluída no novo Plano Estratégico da Petrobras sob diretrizes do Ministério de Minas e Energia, alinhadas à política de reindustrialização e soberania nacional.

“Esta é uma obra de retomada da capacidade de o Brasil decidir sobre seus próprios insumos. Não é apenas uma fábrica – é autonomia, emprego e segurança alimentar”, declarou o presidente Lula em evento na semana passada, antecipando o anúncio.

Empregos e capacidade produtiva

A UFN-3 terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia – insumos-base para fertilizantes nitrogenados, dos quais o Brasil ainda importa cerca de 80% do que consome. A unidade ficará estrategicamente localizada no Mato Grosso do Sul, próxima às regiões de maior consumo agrícola, como o Cerrado e a região Centro-Oeste.

A retomada das obras deverá começar ainda no primeiro semestre de 2026, com geração estimada de 8 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de construção. Na operação, a fábrica deverá fixar cerca de 500 trabalhadores qualificados.

“A decisão de retomar a UFN-3 resgata não só uma fábrica, mas uma política de Estado. O governo Lula entendeu que a dependência externa de fertilizantes nos deixou reféns de guerras e crises internacionais”, afirmou a ministra de Minas e Energia, Alexandra de Souza, em nota.

O contexto geopolítico e a aposta na autonomia energética

A retomada da UFN-3 é apenas uma das frentes da estratégia do governo Lula para ampliar a autonomia energética e industrial do país. Desde 2023, o governo adotou medidas em três eixos principais:

  1. Retomada da capacidade de refino – com a conclusão de obras no Complexo de Abreu e Lima (PE) e a ampliação da Refinaria Henrique Lage (SP), reduzindo importação de diesel e gasolina.
  2. Fortalecimento da indústria de fertilizantes – além da UFN-3, há estudos para reativar a UFN-2 (PR) e ampliar parcerias com o programa Profertil.
  3. Transição energética com controle estatal – incentivo ao biometano, hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis de aviação, mantendo a Petrobras como indutora do processo.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou que a retomada da UFN-3 chega em momento crítico: “A guerra na Ucrânia, as sanções à Rússia e Belarus e a volatilidade no mercado de gás natural mostraram que não dá para depender de poucos fornecedores. O Brasil tem gás, tem tecnologia, tem demanda. Faltava decisão política.”

Histórico de abandono e retomada

A UFN-3 foi originalmente concebida dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do primeiro governo Lula. As obras começaram em 2011, na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, mas foram paralisadas em 2015, já sob o governo Temer, após denúncias de corrupção e crise financeira da Petrobras. Nos anos seguintes, a estatal tentou vender a unidade inacabada, sem sucesso.

Com a volta de Lula ao poder em 2023, a UFN-3 foi reinserida no plano de negócios da Petrobras como projeto prioritário. Em 2024, a estatal realizou estudos de viabilidade que apontaram ser mais barato concluir a obra (R$ 5 bilhões) do que construir uma nova fábrica (estimada em R$ 8,5 bilhões a R$ 10 bilhões).

Reações e desafios

O anúncio foi bem recebido por entidades do agronegócio, como a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul). Contudo, economistas alertam para os desafios: o preço do gás natural – principal insumo da fábrica – segue elevado no Brasil em comparação a outros países produtores, e a viabilidade comercial dependerá de políticas de precificação competitiva para a indústria nacional.

Além disso, ambientalistas cobram compromissos com baixa emissão de carbono. A Petrobras afirma que a UFN-3 adotará tecnologias de captura de CO₂ e que há estudos para integrar a unidade a futuros polos de hidrogênio verde.

Próximos passos

Com a aprovação do conselho, a Petrobras dará início à licitação para contratação das empresas que concluirão a obra. A previsão é que, em 2029, o Brasil deixe de importar cerca de 1,3 milhão de toneladas anuais de ureia – reduzindo em aproximadamente 15% a dependência externa do insumo.

Para o governo Lula, a mensagem é clara: a retomada da UFN-3 é símbolo de um novo ciclo de desenvolvimento com soberania. “Não aceitamos mais que nos digam o que fazer com nossos recursos. O Brasil voltou a ser protagonista”, declarou Lula, em tom de campanha, ao comentar o anúncio.

Postar um comentário

Sua opinião é importante!

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato