Wilson Lima autoriza contrato de R$ 1,3 bilhão com a FUNDGRES sem licitação após Amazonas amargar último lugar no Enem
Em pleno ano eleitoral, a gestão do governador Wilson Lima (União) oficializou um repasse bilionário para a área da educação no Amazonas. Por meio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (SEDUC), o governo autorizou o pagamento de R$ 1.354.218.000,00 (um bilhão e trezentos e cinquenta e quatro milhões de reais) à Fundação de Desenvolvimento e Inovação Agro Socioambiental do Espírito Santo (FUNDGRES). A contratação foi feita via inexigibilidade de licitação, ou seja, sem concorrência pública.
Detalhes do Contrato Bilionário
O acordo visa a implementação de uma "solução integrada de ensino" para a rede estadual (ensino fundamental e médio) em Manaus e no interior. O pacote de serviços da FUNDGRES inclui:
Material didático impresso e digital;
Plataforma educacional tecnológica;
Sistemas de avaliação de aprendizagem;
Assessoria pedagógica e formação continuada para professores.
O governo justificou a dispensa de concorrência com base no Artigo 74 da Lei Federal nº 14.133/2021, alegando que a fundação capixaba possui exclusividade sobre a solução ofertada.
O Contraste: Pior Educação do Brasil
O investimento bilionário ocorre simultaneamente à divulgação de dados alarmantes sobre a qualidade do ensino no estado. Segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2025, baseado em dados do Inep:
O Amazonas ocupa a 27ª (última) posição no ranking nacional do Enem.
A nota média dos estudantes amazonenses foi de 505,3 pontos, ficando atrás de todos os outros estados da Região Norte, como Roraima (525,4) e Pará (511,7).
Para comparação, o topo do ranking é ocupado por São Paulo (565,8) e Santa Catarina (565,2).
O levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP) aponta que o estado sofre com problemas estruturais graves, incluindo baixa frequência escolar e alta distorção idade-série.
Críticas e Questionamentos sobre Transparência
A decisão de Wilson Lima e da SEDUC gerou forte reação negativa na sociedade civil. As principais críticas concentram-se em três pontos:
Falta de Transparência: Internautas questionam a pressa e a ausência de licitação para um valor tão elevado em ano de eleições.
Eficácia do Gasto: Críticos apontam que concentrar R$ 1,3 bilhão em um único contrato com uma fundação de outro estado não resolve os "desafios históricos" da infraestrutura local.
Qualidade do Material: Relatos de usuários denunciam que materiais entregues anteriormente às escolas eram de baixa qualidade, citando "pincéis sem tinta" e "canetas que não funcionam".
"O que está acontecendo com tanto dinheiro sem licitação? Precisamos de transparência com o dinheiro público, quem paga por isso é a população", afirmou um dos manifestantes nas redes sociais.