Guerra no Golfo ameaça cabos submarinos e acende alerta para apagão de internet global

Conflito entre EUA/Israel e Irã entra na terceira semana; especialistas temem que ruptura de cabos no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz possa isolar continentes e paralisar economias

O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completa três semanas nesta terça-feira (24), e um novo e silencioso campo de batalha tem mobilizado a atenção de governos e empresas de telecomunicações: o fundo do mar. Ameaças de ataques e a implantação de minas marítimas pelo Irã no Estreito de Ormuz colocaram em risco a integridade de cabos submarinos responsáveis por mais de 90% do tráfego mundial de dados, gerando temores de um apagão de internet em escala global.

O Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial, também abriga um dos mais importantes corredores digitais do planeta. Sistemas como AAE-1, FLAG Alcatel-Lucent Optical Network, Gulf Bridge International Cable System e TGN-Gulf atravessam a região, servindo como espinha dorsal para conexões entre Europa, Ásia e África.

Paralelamente, o Mar Vermelho concentra pelo menos 17 cabos submarinos que formam uma rota estratégica para o tráfego de dados entre Oriente e Ocidente. A proximidade do conflito e a militarização das águas tornaram a região um ponto crítico de vulnerabilidade.

Irã fecha estreito e implanta minas

Nos últimos dias, a Guarda Revolucionária do Irã confirmou a implantação de minas navais no Estreito de Ormuz, fechando oficialmente a passagem para navios. Embora a medida tenha sido inicialmente interpretada como uma resposta ao bloqueio econômico imposto pelos EUA, especialistas apontam que as minas representam uma ameaça direta aos cabos de telecomunicações que cruzam o mesmo leito marinho.

“A ruptura desses cabos não seria um dano colateral. Seria um golpe na infraestrutura crítica global”, afirmou à reportagem Michael R. Stanton, analista de segurança de redes do Atlantic Council. “Diferentemente do petróleo, que tem estoques, a internet não tem reserva. Se esses cabos forem cortados, não há alternativa imediata.”

Manutenção suspensa e rotas sobrecarregadas

Com a área de conflito declarada zona de risco, equipes de manutenção de cabos submarinos suspenderam operações na região. Projetos de instalação de novas rotas, que vinham sendo planejados para aumentar a resiliência da rede, também foram paralisados.

Embora parte do tráfego possa ser redirecionada por rotas terrestres, a capacidade desses caminhos alternativos é limitada. Empresas de telecomunicações já relatam degradação na velocidade de conexões entre continentes, à medida que os dados são forçados a passar por poucos corredores terrestres remanescentes, como os que conectam a Ásia à Europa via Turquia e Rússia.

“O redirecionamento é possível, mas não é um substituto à altura”, explicou a engenheira de redes Layla Karimi, consultora de infraestrutura digital. “A latência aumenta, a largura de banda diminui e há um risco real de colapso se um desses poucos caminhos também for afetado.”

Cenário de apagão global

Governos de países da União Europeia, China e Japão já acionaram seus comitês de emergência cibernética para avaliar planos de contingência. O temor é que um ataque deliberado ou um dano colateral aos cabos no Mar Vermelho ou em Ormuz provoque um apagão de internet regional com repercussões globais, isolando países inteiros e afetando sistemas financeiros, cadeias de suprimentos e serviços essenciais.

Até o momento, a administração americana não comentou publicamente sobre a proteção dos cabos submarinos, mas fontes do setor de defesa indicam que o tema está sob análise nos centros de comando conjunto em Washington e no Pentágono.

Especialistas alertam que, em um conflito já marcado por ataques a infraestruturas energéticas, a guerra digital pode estar prestes a ganhar um novo e ainda mais profundo fronte: o assoalho oceânico.

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