Movimentação militar americana inclui 4.500 fuzileiros navais e navios de assalto anfíbio, em meio a alertas de que uma operação terrestre pode ser inevitável
O governo dos Estados Unidos intensificou o envio de militares para o Oriente Médio e sinalizou a aliados que estuda uma operação militar terrestre para tomar a ilha iraniana de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã. A informação, publicada inicialmente pelo The Jerusalem Post, foi confirmada por fontes do governo americano e representa uma escalada significativa nas tensões entre Washington e Teerã.
De acordo com reportagem divulgada no último domingo (22), autoridades dos EUA comunicaram a seus pares em Israel e em outras nações aliadas que “talvez não reste outra alternativa” a não ser lançar uma ação terrestre contra Kharg, localizada no Golfo Pérsico. A ilha responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, boa parte com destino à China.
Em paralelo às articulações diplomáticas, um oficial americano confirmou que as forças armadas dos EUA aceleraram o envio de milhares de fuzileiros navais para a região. O comboio militar inclui o USS Boxer, um navio de assalto anfíbio que atua como porta-aviões leve, além dos navios USS Portland e USS Comstock. Juntas, as embarcações transportam aproximadamente 4.500 militares de combate.
A movimentação ocorre em meio a uma sucessão de ataques iniciada em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel realizaram operações contra alvos iranianos. Desde então, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou “aniquilar” usinas de energia do Irã caso o país não reabra o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde escoa cerca de 20% do petróleo global.
A Guarda Revolucionária do Irã já respondeu com alertas explícitos: qualquer ataque a instalações energéticas iranianas será respondido com ataques contra usinas de Israel e contra países do Golfo que abrigam bases militares americanas.
Analistas apontam que uma eventual invasão à ilha de Kharg representaria um ponto de inflexão no conflito, mirando diretamente a espinha dorsal econômica do regime iraniano. Por outro lado, especialistas alertam que a operação poderia provocar uma reação em cadeia no mercado global de energia e ampliar o confronto para uma guerra regional de maiores proporções.
Até o momento, a Casa Branca não divulgou uma declaração oficial confirmando ou negando os planos de invasão terrestre, mas o envio acelerado de tropas e a comunicação reservada a aliados reforçam a percepção de que os EUA se preparam para uma ação de maior envergadura na região.
Fontes: The Jerusalem Post, agências internacionais e declarações de oficiais americanos sob condição de anonimato.