Dados exclusivos mostram a complexidade da operação aeromédica em um dos estados mais desafiadores do país
Aeronave equipada como UTI aérea transposta dois pacientes ao mesmo tempo. Foto: Divulgação / Godoi Comunicação
Levantamento inédito com dados operacionais da Brasil Vida Táxi Aéreo, de janeiro a novembro, aponta que, dos 444 voos aeromédicos realizados, 354 transportaram dois pacientes na mesma aeronave, enquanto apenas 87 missões ocorreram com um único paciente, restando às transferências interestaduais um papel residual, com somente três registros em todo o período analisado. Em 2026, a tendência de voos segue a mesma.
O padrão se repete ao longo de praticamente todo o ano, inclusive nos meses de maior volume operacional, como setembro, quando 46 dos 51 voos foram realizados em formato conjugado, e janeiro, que registrou 26 voos com duas macas, entre um total de 34 operações, demonstrando que a transferência conjunta deixou de ser exceção para se tornar a regra no transporte aeromédico do estado.
Operação complexa
Esse modelo de operação exige planejamento rigoroso e alto grau de coordenação, já que as aeronaves frequentemente pousam em municípios distintos para embarcar pacientes diferentes, antes de seguir para Manaus ou para hospitais de referência — estratégia que busca otimizar o uso da frota, reduzir o tempo de espera por remoção e ampliar a capacidade de resposta do sistema público de saúde diante de múltiplos chamados simultâneos.
Os atendimentos envolvem, majoritariamente, pacientes em estado grave, muitos deles em intubação orotraqueal, com múltiplas comorbidades, além de neonatos de baixo peso e adultos em sofrimento respiratório agudo, todos transportados com suporte completo de UTI aérea e equipes médicas especializadas, em operações que precisam conciliar urgência médica, segurança operacional e limitações logísticas impostas pela geografia amazônica.
Em um território onde o deslocamento por vias terrestres ou fluviais pode levar dias, os números revelam que a predominância dos voos conjugados não apenas reflete eficiência operacional, mas também escancara a pressão permanente sobre a rede de saúde, que depende do transporte aéreo como elo essencial para garantir acesso a tratamentos de média e alta complexidade.