Fiscalização da Escola Estadual em Envira revela cenário de abandono e precariedade na rede pública estadual
A Promotoria de Justiça da Comarca de Envira instaurou um procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar a Escola Estadual Prof.° Chagas Mattos. A medida, assinada pelo promotor Christian Guedes da Silva, tem prazo de um ano e busca garantir que a unidade escolar cumpra normas legais de infraestrutura, pedagogia e inclusão.
Embora o caso seja específico, ele reflete uma realidade mais ampla: o descaso do Governo do Amazonas com a educação pública. Os índices educacionais do estado permanecem abaixo da média nacional. No último levantamento do Saeb, menos da metade dos alunos do ensino fundamental atingiu níveis adequados em Língua Portuguesa e Matemática. No ensino médio, o Ideb segue estagnado em 3,7 pontos, distante da meta nacional.
Além dos números, denúncias de escolas sem condições mínimas de funcionamento se multiplicam. Há registros de prédios com infiltrações, fiação exposta, banheiros inutilizáveis e salas sem ventilação adequada. Em municípios do interior, estudantes chegam a assistir aulas sem cadeiras, sem merenda e até sem acesso à água potável.
A crise também atinge os profissionais da educação. Professores denunciam baixos reajustes salariais, sobrecarga de trabalho e falta de valorização. Em 2026, o governo concedeu apenas 4,14% de aumento, considerado insuficiente diante da inflação. Muitos docentes enfrentam salas superlotadas e ausência de materiais básicos, além de episódios de violência que levaram à criação de leis para atendimento psicológico à categoria.
O procedimento instaurado em Envira é, portanto, mais do que uma medida pontual: é um alerta sobre o colapso educacional no Amazonas. Sem investimentos consistentes e políticas públicas eficazes, o futuro de milhares de estudantes e a dignidade dos profissionais da educação seguem comprometidos.