Flávio Bolsonaro resolveu se lançar à presidência como quem tenta vender um carro batido como se fosse zero quilômetro. O problema é que o histórico não cabe no porta-malas: das “rachadinhas” no Rio de Janeiro, com o fiel escudeiro Fabrício Queiroz e suas movimentações financeiras suspeitas, até as notas fiscais milionárias emitidas e canceladas em negócios nebulosos com o Banco Master, o currículo é extenso e nada edificante.
Não bastasse o passado, Flávio ainda coleciona brigas internas e gafes públicas. Discutiu com Michelle Bolsonaro, pediu desculpas depois, mas deixou claro que a família é uma usina de crises domésticas transformadas em espetáculo nacional. Como se não bastasse, ainda se aventurou no terreno das fake news, espalhando mentiras sobre urnas eletrônicas e acusando Lula de crimes pesados sem provas — o que lhe rendeu investigações no TSE e na Polícia Federal.
O resultado é um candidato isolado, rejeitado por parcelas significativas do eleitorado e visto como herdeiro de um legado político que mistura populismo com escândalo. Flávio tenta se vender como continuidade, mas o que entrega é repetição de velhos vícios.
E aí, no dia do anúncio da candidatura, solta a frase de efeito: “Tenho sangue de Bolsonaro”. Ora, se é para brincar com metáforas, talvez seja mais honesto dizer que tem sangue de barata — resistente, sim, mas sempre associado à sujeira, ao incômodo e àquilo que ninguém quer ver circulando pela cozinha da democracia.
Esse é o retrato: uma candidatura que se apresenta como força, mas que soa como ironia. Um discurso que queria ser épico, mas terminou como piada. Afinal, na política brasileira, até o sangue pode virar metáfora de barata.