Artesã denuncia envenenamento com mercúrio em projeto social no Recife


Uma grave denúncia de envenenamento vem chamando atenção no Recife. A artesã que há mais de dez anos atua no projeto social Arte na Medicina, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, afirma ter sido intoxicada com mercúrio por uma aluna durante meses.

Segundo relato da vítima, em junho de 2025 ela filmou a suspeita, identificada como Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, colocando uma substância em sua garrafa de água em duas ocasiões. Após ingerir o líquido, disse ter sentido uma “bolinha” na garganta e acionou a polícia. Durante abordagem, agentes encontraram resíduos de pó na bolsa da investigada.

Exames toxicológicos confirmaram 21 microgramas de mercúrio por mililitro no sangue da artesã, enquanto laudo pericial apontou a presença do metal pesado na água da garrafa. A perícia estima que a ingestão tenha ocorrido por um período de oito meses a um ano.

As consequências para a saúde da vítima são severas: dores abdominais, rigidez muscular, dificuldade para andar e urinar, compressão na medula, neuropatia e redução de movimentos. Ela aguarda atendimento especializado com um neurocirurgião pelo SUS.

Apesar da gravidade, o inquérito policial aberto há mais de um ano ainda não foi concluído, o que gera indignação e preocupação entre colegas e familiares. O caso expõe não apenas os riscos da exposição ao mercúrio — substância altamente tóxica e proibida em diversos usos —, mas também a lentidão da investigação em situações que envolvem saúde pública e segurança em projetos sociais.

Esse episódio levanta debates sobre a necessidade de maior fiscalização em ambientes de ensino e voluntariado, além de reforçar a urgência de respostas rápidas da Justiça em crimes que envolvem risco de morte e sequelas permanentes.

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