Esquema no INSS: delação de Camisotti liga fraudes a governos Temer e Bolsonaro

Principal operador da fraude no INSS confessa crimes, fecha delação e promete entregar nomes

O empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais beneficiários da fraude no INSS, firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). No documento, ele admite irregularidades e promete entregar provas e nomes de outros envolvidos. Preso em setembro de 2025, Camisotti segue em prisão preventiva, embora sua defesa tenha solicitado conversão para prisão domiciliar.

As investigações revelaram que o esquema consistia em descontos mensais indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Associações formalmente constituídas firmavam acordos com o INSS para oferecer supostos serviços, mas na prática funcionavam como instrumentos de cobrança irregular.

Entre elas, a Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), que recebeu cerca de R$ 400 milhões entre 2023 e 2025. Parte dos valores teria sido direcionada a empresas ligadas a Camisotti, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.

Movimentações financeiras suspeitas

Relatórios do Coaf identificaram saques milionários em espécie realizados por Camisotti, somando mais de R$ 7 milhões, reforçando indícios de ocultação de recursos. Segundo a PF, ele controlava indiretamente entidades envolvidas, por meio de familiares e funcionários.

  • Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, lobista preso no mesmo dia que Camisotti, apontado como intermediário entre entidades e servidores.
  • Um procurador federal e um ex-diretor de benefícios do INSS, que teriam autorizado parcerias com associações, também negociam acordos de delação.

Ligações políticas


As associações suspeitas ganharam força durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, período em que ampliaram número de filiados e receitas. Decisões administrativas facilitaram a inclusão dos descontos diretamente na folha de pagamento dos beneficiários, favorecendo o avanço do esquema.

A delação de Camisotti, primeira no âmbito da investigação, foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aguarda homologação do ministro André Mendonça, além da análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A expectativa é que novas colaborações revelem outros nomes e ajudem a esclarecer a extensão das irregularidades, que já prejudicaram milhares de aposentados em todo o país.

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