BRASÍLIA – O cenário político na capital federal entrou em estado de alerta máximo. A possível delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornou-se o epicentro de uma movimentação de bastidores que une o Centrão e o núcleo duro do bolsonarismo. O objetivo é claro: garantir a liberdade do banqueiro antes que um acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja selado.
A estratégia agora converge para a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que inicia nesta sexta-feira (13) o julgamento virtual da decisão de André Mendonça sobre a manutenção da prisão de Vorcaro.
O Xadrez Jurídico: A Aposta no Empate
Com o impedimento declarado pelo ministro Dias Toffoli em assuntos correlatos, a defesa e seus aliados políticos projetam um cenário de três votos remanescentes na Segunda Turma: Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques.
A aposta do mundo político recai sobre uma "dobradinha" entre Fux e Nunes Marques para isolar um possível posicionamento mais rígido de Gilmar Mendes. No Judiciário, o empate em matéria penal favorece o réu (in dubio pro reo), o que devolveria Vorcaro às suas mansões e, consequentemente, reduziria a pressão psicológica para que ele colabore com as investigações.
Luiz Fux: Visto como uma peça-chave após sua migração da Primeira Turma.
Nunes Marques: Indicado por Jair Bolsonaro, é a esperança de alinhamento do grupo que teme as revelações do banqueiro.
As Conexões Perigosas
O temor de uma delação não é infundado. As investigações sobre o Banco Master tocam em nomes de peso da política nacional:
Ciro Nogueira (PP): Citado em mensagens de Vorcaro como "grande amigo da vida".
Ex-ministros de Bolsonaro: João Roma, Ronaldo Bento (Cidadania) e Flávia Perez (Secretaria-Geral) orbitam as frentes de investigação.
Clã Bolsonaro: O vínculo passa pelo pastor Fabiano Zettel, principal doador da campanha de 2022 e cunhado de Vorcaro, além do uso de jatinhos do banqueiro por parlamentares como Nikolas Ferreira.
Impacto na Opinião Pública: Pesquisa Quaest
Dados divulgados pela Quaest nesta quinta-feira (12) mostram que o "Escândalo Master" já é de conhecimento de 65% dos brasileiros. Embora o impacto seja sentido por todo o sistema político, o eleitorado percebe nuances diferentes:
| Percepção de Impacto Negativo | Percentual |
| Afeta todo o sistema (STF, Governo, Congresso) | 40% |
| Atinge mais o Governo Bolsonaro | 11% |
| Atinge mais o Governo Lula | 10% |
| Atinge mais o STF | 13% |
De acordo com Felipe Nunes, CEO da Quaest, o caso terá reflexos eleitorais significativos. "Cerca de 67% dos entrevistados afirmam que o escândalo afetará seu voto em outubro, com 38% garantindo que evitarão qualquer candidato envolvido", explica o analista.
Próximos Passos
O desfecho do julgamento virtual na Segunda Turma determinará se a "Operação Abafa" terá sucesso ou se Vorcaro, acuado pelo cárcere, abrirá a caixa-preta de um esquema que promete balançar as estruturas da Faria Lima e do Congresso Nacional.