Inquérito apura se o Banco Master financiou uma rede coordenada de influenciadores para atacar instituições e mascarar fraudes bilionárias.
BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) deu início a uma nova e complexa fase de investigações que coloca influenciadores digitais no centro de um esquema de manipulação de opinião pública e crimes financeiros. O objetivo é apurar se o Banco Master utilizou "milícias digitais" para atacar o Banco Central (BC) e a Febraban, após a autoridade monetária decretar a liquidação da instituição no fim de 2025.
O caso, que corre sob sigilo, ganhou tração após os relatos dos influenciadores Rony Gabriel e Juliana Leite. Eles revelaram ter recebido propostas financeiras para criticar publicamente a atuação do BC, sugerindo que a intervenção no banco teria sido "injusta" ou "política".
A Estratégia do Ataque Coordenado
Segundo as investigações da Operação Compliance Zero, a ofensiva não foi espontânea. A PF identificou um volume atípico de menções negativas à Febraban e ao Banco Central partindo de perfis que, somados, ultrapassam 36 milhões de seguidores.
A tática consistia em:
- Narrativa Unificada: Postagens com argumentos técnicos idênticos, mas publicadas por perfis de entretenimento e fofoca.
- Descrédito Institucional: Tentativa de criar pânico no mercado financeiro para pressionar a reversão da liquidação.
- Contratos Milionários: Há indícios de ofertas que chegavam a sete dígitos, protegidas por cláusulas de confidencialidade agressivas.
Conexão com Fraudes no Master e BRB
O inquérito sobre os influenciadores é um desdobramento de uma investigação maior. A PF já apura fraudes bancárias estimadas em R$ 12 bilhões, envolvendo a venda de carteiras de crédito entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília).
Os investigadores suspeitam que parte do capital desviado dessas operações tenha sido usado para pagar a "campanha de marketing agressivo" contra o Banco Central. Dispositivos eletrônicos e documentos apreendidos em fases anteriores da operação indicam que a ordem para os ataques teria partido da alta cúpula do Master.
A Polícia Federal agora trabalha em duas frentes:
- Rastreio Bancário: Identificar o caminho do dinheiro que saiu das contas ligadas ao banco até as agências de marketing e, finalmente, aos influenciadores.
- Depoimentos Oficiais: Diretores do Banco Master e do BRB serão ouvidos para esclarecer as irregularidades na gestão de ativos.
"Não estamos falando de liberdade de expressão, mas de uma ação orquestrada, paga com dinheiro de crime financeiro, para desestabilizar a confiança no sistema bancário brasileiro", afirmou uma fonte ligada à investigação.
A Febraban confirmou que continua analisando os dados de redes sociais para colaborar com a PF, reforçando que o ataque foi um dos maiores movimentos artificiais já registrados contra o setor financeiro no país.