Uma operação conjunta das autoridades equatorianas resultou no resgate de uma menina peruana de 10 anos vítima de tráfico humano na região amazônica do Equador. O caso ganhou repercussão internacional por envolver tentativa de casamento servil e por expor a vulnerabilidade de crianças em áreas de fronteira.
A ação ocorreu na comunidade indígena Espejo, na província de Pastaza, às margens do rio Tigre. O suspeito, Santi Cuji Washinton Favio, de 50 anos, foi detido sob acusação de tentar forçar a união da criança. Segundo a Polícia Nacional do Equador, o resgate foi possível graças ao trabalho conjunto do Bloque de Seguridad, que reuniu forças policiais, militares e apoio da Fiscalia, além de cooperação com autoridades peruanas.
Após o resgate, a menina foi colocada sob proteção integral. Ela receberá acompanhamento médico e psicológico especializado enquanto as investigações avançam. O governo equatoriano reforçou que o caso será tratado como prioridade e que medidas de segurança adicionais serão adotadas para evitar novas ocorrências na região.
Casos de tráfico humano e casamento infantil ainda são desafios graves na América Latina.
- De acordo com a Unicef, 1 em cada 4 meninas na região passa por casamento infantil ou união precoce.
- A América Latina é a única região do mundo onde não houve redução significativa dessa prática nos últimos anos.
- Fatores como pobreza, falta de acesso à educação e vulnerabilidade social aumentam o risco de exploração.
Organizações internacionais, como a Girls Not Brides, defendem políticas públicas voltadas para inclusão escolar e geração de oportunidades econômicas como forma de reduzir a incidência desses crimes.
O Ministério Público do Equador investiga o caso como tráfico de pessoas com fins de casamento servil e possível abuso sexual. As autoridades também apuram relatos de troca transfronteiriça de menores entre comunidades indígenas, ocorrida semanas antes do resgate.