Europa prepara resposta inédita às ameaças de Trump



A União Europeia (UE) está diante de um impasse diplomático e econômico sem precedentes. O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou no último domingo, durante reunião de autoridades europeias, a proposta de acionar o Instrumento Anticoerção (ACI) — mecanismo criado em 2023, mas nunca utilizado até hoje. A medida surge como reação às ameaças de Donald Trump de impor tarifas adicionais de até 25% sobre países europeus que se opõem ao plano americano de anexar a Groenlândia.

O que é a “bazuca comercial”

  • O ACI foi concebido para proteger os 27 Estados-membros contra pressões externas e práticas consideradas coercitivas.
  • Entre as possíveis medidas estão: bloqueio de acesso dos EUA aos mercados da UE, restrições a investimentos estrangeiros, controles de exportação e tarifas adicionais sobre produtos americanos.
  • A ferramenta é vista como uma resposta de última instância, desenhada para dissuadir ações unilaterais de grandes potências.

Trump anunciou recentemente que oito países europeus — incluindo França, Alemanha, Reino Unido e Dinamarca — seriam alvo de tarifas de 10% a partir do próximo mês, em retaliação à oposição ao projeto de controle americano sobre a Groenlândia. A medida provocou forte reação em capitais europeias. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, declarou: “A Europa não será chantageada”.

Impactos potenciais

Especialistas alertam que o uso da “bazuca comercial” poderia desencadear uma guerra comercial de larga escala entre os dois blocos, com efeitos imediatos sobre:

  1. Preços de importação, que poderiam subir significativamente, afetando consumidores e empresas em ambos os lados do Atlântico.
  2. Mercados financeiros, já sensíveis a tensões geopolíticas.
  3. Cadeias globais de suprimentos, especialmente em setores estratégicos como tecnologia, energia e defesa.

Macron e a liderança europeia

Ao propor o uso do ACI, Macron busca posicionar a França como líder na defesa da soberania econômica europeia. A iniciativa, no entanto, ainda precisa ser aprovada pelo Conselho da União Europeia, onde há divergências sobre o risco de escalar o conflito com Washington.

A decisão de acionar ou não a “bazuca comercial” será um teste crucial para a coesão da União Europeia e para sua capacidade de enfrentar pressões externas. Se aplicada, a medida poderá redefinir os rumos das relações comerciais entre EUA e UE, inaugurando uma fase de maior confrontação e menor cooperação entre dois dos maiores blocos econômicos do mundo.

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