TCE/AM aplica multa de R$ 68 mil a ex-prefeito de Envira por descumprir transparĂȘncia fiscal

Vereador RÎmulo da Silva Oliveira, então presidente da Cùmara, denunciou omissÔes graves na gestão do ex-prefeito Paulo Ruan, derrotado nas eleiçÔes de 2024; o município tem 90 dias para regularizar situação.

MANAUS – O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE/AM) aplicou uma multa de R$ 68.271,96 ao ex-prefeito de Envira, Paulo Ruan Portela Mattos, por graves falhas na transparĂȘncia e gestĂŁo fiscal do municĂ­pio durante sua administração. A decisĂŁo, unĂąnime, foi publicada nesta quarta-feira no AcĂłrdĂŁo 1930/2025.

A ação teve origem em uma representação (denĂșncia) protocolada em 2024 pelo entĂŁo presidente da CĂąmara Municipal, RĂŽmulo da Silva Oliveira, hoje vereador. Ele acusou a gestĂŁo municipal de omitir dados essenciais no Portal da TransparĂȘncia, descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e deixar de enviar prestaçÔes de contas ao sistema nacional.

OmissÔes graves e desrespeito à lei

De acordo com o relator, conselheiro convocado AlĂ­pio Reis Firmo Filho, a Prefeitura de Envira, sob responsabilidade de Paulo Ruan, deixou de:

  1. Publicar os balanços consolidados e demonstraçÔes contåbeis de 2021;
  2. Enviar balancetes mensais ao sistema e-Contas da Secretaria do Tesouro Nacional;
  3. Atualizar o endereço eletrĂŽnico do Portal da TransparĂȘncia;
  4. Adotar medidas corretivas após violação reiterada dos limites prudenciais da Lei de Responsabilidade Fiscal.

“A conduta comprometeu a transparĂȘncia e o controle social sobre a gestĂŁo pĂșblica municipal”, afirmou o relator, reforçando que tais obrigaçÔes sĂŁo fundamentais para a democracia e o combate Ă  corrupção.

Ex-prefeito foi considerado revel e terĂĄ nome protestado

O TCE considerou Paulo Ruan revel no processo, pois ele não apresentou defesa dentro do prazo legal. A multa é de caråter pessoal e deverå ser paga por ele em 30 dias. Caso não cumpra, o valor serå cobrado judicialmente e o título serå protestado em cartório, com inclusão do nome do ex-gestor em órgãos de restrição ao crédito.

A condenação no TCE ocorre poucos meses após a derrota eleitoral de Paulo Ruan, que tentou a reeleição em outubro de 2024 e não foi bem-sucedido. A representação foi uma das bandeiras do então presidente da Cùmara, RÎmulo da Silva Oliveira, que atuou como oposição fiscalizadora.

Prefeitura atual tem 90 dias para regularizar

A decisĂŁo tambĂ©m determina que a Prefeitura Municipal de Envira, agora sob nova gestĂŁo, regularize todas as pendĂȘncias em 90 dias, sob pena de novas sançÔes. Entre as obrigaçÔes estĂŁo a publicação dos documentos fiscais de 2023 e 2024, o envio dos balancetes em atraso e a correção do Portal da TransparĂȘncia.

“É um alerta para todos os gestores pĂșblicos. O Tribunal de Contas estĂĄ atento e a sociedade tambĂ©m. A omissĂŁo na prestação de contas tem consequĂȘncias graves”, ressaltou o conselheiro relator.

Fundamento legal amplo

A multa foi aplicada com base em dispositivos da Constituição Federal, Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei de Acesso à Informação e legislação estadual. O valor foi calculado conforme a gravidade das irregularidades e o comprometimento do controle social.

O caso segue como um exemplo de como o controle externo, acionado pela representação de um parlamentar local, pode resultar na responsabilização de gestores e na correção de rumos da administração pĂșblica municipal.

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